Antes de ser morto no Rio, advogado comentava plano de abrir bar com apostas on-line

Foto: Divulgação
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Dias antes de ser assassinado no Centro do Rio de Janeiro, o advogado Rodrigo Marinho Crespo comentou com pessoas próximas que pretendia investir em um negócio ligado ao mercado de apostas on-line. Em tom de entusiasmo, ele teria afirmado que o novo empreendimento dispensaria qualquer contato com a contravenção tradicional.

Segundo relatos revelados na investigação, Crespo chegou a dizer que pretendia abrir um bar associado a plataformas de apostas na internet e que, com a regulamentação do setor, “o bom é que a gente não precisa falar com bicheiro nenhum”. A frase foi mencionada por testemunhas durante as apurações do caso.

O advogado foi executado a tiros em fevereiro de 2024, na região central do Rio, ao deixar um prédio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O crime ocorreu em plena luz do dia e gerou grande repercussão. Para o Ministério Público, há indícios de que a execução tenha sido um recado de grupos ligados à contravenção que atuam no mercado de jogos de azar na cidade.

De acordo com a investigação, Crespo buscava investidores para atuar no mercado legal de apostas on-line, que passou por regulamentação recente no Brasil. Promotores apontam que a iniciativa poderia representar concorrência a organizações que exploram jogos de azar de forma ilegal, como o tradicional jogo do bicho, prática difundida no país desde o fim do século XIX.

A Polícia Civil indiciou três homens pelo assassinato: um policial militar e dois suspeitos apontados como responsáveis por monitorar os passos do advogado antes do ataque. Todos respondem pelo crime na Justiça.

Casos envolvendo disputas em torno do jogo ilegal não são novidade na história do Rio de Janeiro. Ao longo do século XX, jornais como o Correio da Manhã e o Jornal do Brasil publicaram reportagens sobre a influência de banqueiros do jogo do bicho na cidade, fenômeno que atravessa décadas e continua presente nas investigações policiais contemporâneas.

Foto: Reprodução / TV Globo.

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