Alunos de Medicina de cursos com piores notas no Enamed relatam perfil mais velho e problemas de estrutura

Foto: Divulgação
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Relatos de estudantes de cursos de Medicina mal avaliados na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) apontam que muitos concluintes são mais velhos em relação à média nacional e enfrentam dificuldades relacionadas à infraestrutura acadêmica e ao preparo para o exercício profissional. 

O Enamed, nova avaliação aplicada pelo Ministério da Educação (MEC) para medir a qualidade da formação médica no país, mostrou que cerca de 30% dos cursos de Medicina tiveram desempenho insatisfatório, ficando com notas consideradas abaixo do mínimo aceitável (conceitos 1 e 2, numa escala de 1 a 5). 

Segundo relatos publicados em redes sociais por alunos desses cursos, muitos formandos com desempenho coletivo baixo no exame são estudantes mais velhos, que retornaram à educação formal depois de períodos no mercado de trabalho ou em outras atividades, e que agora percebem “lacunas” no conteúdo oferecido ao longo da graduação em relação às exigências práticas da profissão. 

Além disso, os alunos reclamam de deficiências estruturais persistentes nas instituições com pior desempenho. Entre as queixas estão a falta de campos de estágio adequados, sobrecarga de alunos nos ambientes clínicos, insuficiência no número de professores com formação sólida e pouca articulação entre a formação teórica e a prática médica — problemas que, segundo eles, podem ter contribuído para os resultados ruins no exame e para a sensação de insegurança sobre o futuro profissional. 

Os estudantes afirmam que tentativas de diálogo com coordenações e reitorias foram frequentemente ignoradas ou resultaram em respostas consideradas insuficientes, reforçando o sentimento de injustiça diante dos altos custos das mensalidades em muitos desses cursos privados, associados às fracas avaliações no exame nacional. 

A divulgação dos resultados do Enamed também expôs um problema mais amplo do sistema educacional: cerca de 13 mil estudantes que estão prestes a concluir a graduação em Medicina não demonstraram conhecimentos mínimos básicos esperados para o exercício da profissão, segundo dados compilados pelos órgãos educacionais e entidades médicas, o que tem instigado debate sobre a necessidade de ajustes regulatórios mais rígidos para cursos e profissionais. 

Foto: Reprodução.

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