A cidade de Paraty, na Costa Verde do Rio de Janeiro, enfrenta uma intensificação da presença do grupo criminoso conhecido como Comando Vermelho, o que tem alterado profundamente a rotina de moradores, pressionado pequenos comércios e afetado áreas turísticas frequentadas por visitantes brasileiros e estrangeiros. A atuação dessa facção na região é vista por moradores como um fenômeno de territorialização que vai além do tráfico tradicional de drogas e começa a interferir em atividades econômicas e no cotidiano urbano.
Relatos de moradores apontam que áreas próximas ao Centro Histórico, como as comunidades da Ilha das Cobras e da Mangueira, têm vivenciado um crescimento da violência associada ao controle territorial do grupo, com antigas dinâmicas de disputa entre facções dando lugar a uma presença mais consolidada do Comando Vermelho ao longo dos últimos anos. Em bairros afastados, a chamada Praça da Paz, que abriga equipamentos públicos como pista de skate e quadra de esportes, aparece agora como símbolo de um cenário de abandono e medo perceptível entre os residentes.
Moradores entrevistados descrevem episódios de expulsões forçadas de lares e pequenas empresas após a consolidação do domínio territorial. Em um dos casos relatados, uma família foi obrigada a deixar sua residência e comércio local sob ameaça, o que exemplifica o impacto direto dessas práticas no tecido social da cidade. Outro morador afirmou que a venda de drogas nas ruas internas aumentou significativamente, levando famílias a buscar alternativas como a mudança para outros estados por motivos de segurança.
A presença da facção também tem se estendido a áreas ligadas ao turismo, entre elas a Praia do Sono e a vila de Trindade, tradicional destino de visitantes e símbolo cultural da região. Relatos dão conta de tentativas de imposição de taxas a barqueiros responsáveis pelo transporte de turistas, além de denúncias de cobranças indevidas em estacionamentos e extorsões em áreas de grande fluxo. Embora algumas das práticas tenham sido temporariamente contidas por ações espontâneas de moradores, a situação expõe um novo tipo de desafio que mistura crime organizado e economia local.
Autoridades policiais mantêm investigações sobre múltiplos casos de exploração territorial em diferentes localidades de Paraty, incluindo suspeitas de cobrança de percentuais sobre a venda de terrenos e imóveis e extorsões envolvendo atividades turísticas. Ao mesmo tempo, moradores e empresários reclamam da falta de uma presença mais efetiva do Estado e de medidas estruturais de segurança que possam conter o avanço dessa influência criminosa.
Crédito da foto: Gabriel de Paiva