Rio de Janeiro – Dez cursos de Medicina no estado do Rio de Janeiro receberam avaliação insatisfatória na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), apontando falhas significativas na formação em uma etapa crucial da carreira médica.
Entre os 351 cursos avaliados em todo o país, 107 ficaram nas duas faixas mais baixas da escala — conceitos 1 e 2, considerados insuficientes pelo MEC — e dez deles estão no Rio de Janeiro.
O Enamed é aplicado a estudantes concluintes e tem como objetivo medir o aprendizado adquirido ao longo da graduação e verificar se os formandos têm competências básicas para atuar como médicos. Participaram cerca de 89 mil alunos no exame aplicado em 2025.
Cursos com conceito insuficiente no Rio
Os dez cursos cariocas que receberam notas 1 ou 2 são de instituições privadas ou municipais, conforme os dados divulgados pelo MEC:
- Universidade Estácio de Sá (Unesa) – Angra dos Reis – conceito 1
- Universidade Iguaçu (Unig) – Nova Iguaçu – conceito 2
- Universidade Iguaçu (Unig) – Itaperuna – conceito 2
- Afya Universidade Unigranrio – Rio de Janeiro – conceito 2
- Afya Universidade Unigranrio – Duque de Caxias – conceito 2
- Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso) – Teresópolis – conceito 2
- Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA) – Volta Redonda – conceito 2
- Faculdade de Medicina de Campos (FMC) – Campos dos Goytacazes – conceito 2
- Afya Centro Universitário de Itaperuna – Itaperuna – conceito 2
- Centro Universitário FAMESC (UniFAMESC) – Bom Jesus do Itabapoana – conceito 2
Sanções e consequências
Os cursos com desempenho insatisfatório serão submetidos a processos de supervisão e penalidades pelo MEC, que podem incluir proibição de novas matrículas, redução de vagas e suspensão de acesso a programas federais, como o Fies.
Segundo o MEC, as instituições avaliadas terão prazo para apresentar recursos administrativos, e as sanções valerão até a próxima edição do Enamed, prevista para outubro de 2026.
Debate sobre qualidade da formação
A avaliação reforça um contraste entre cursos privados e públicos no país: enquanto instituições federais e estaduais concentram as melhores avaliações nacionais, a maioria dos cursos com notas baixas está na rede privada ou municipal, segundo levantamento do MEC.
O resultado da avaliação coloca em foco a crescente preocupação com a qualidade da formação médica no Brasil, especialmente diante da expansão acelerada de cursos sem garantia de infraestrutura ou qualidade de ensino.