Em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, síndicos e comerciantes de prédios têm promovido mudanças nas calçadas do bairro para tentar impedir a permanência de pessoas em situação de rua, gerando debate sobre os limites do uso do espaço público. Relatos e imagens que circulam em redes sociais mostram a remoção de marquises e a instalação de vasos, jardineiras e outros obstáculos ao longo de vias como estratégia para afastar moradores de rua e usuários de drogas de áreas externas de edifícios e lojas.
A prática, apontada por críticos como uma forma de “arquitetura hostil”, tem estreitado o espaço destinado aos pedestres e levantado questionamentos sobre mobilidade urbana e direitos no uso das calçadas. Moradores relataram que a presença de obstáculos dificulta a circulação, inclusive para idosos e pessoas com mobilidade reduzida, e que as mudanças estariam relacionadas tanto à sensação de insegurança quanto à tentativa de evitar a permanência de pessoas em situação de rua em áreas que antes serviam como abrigo contra o sol e a chuva.
A Prefeitura do Rio informou que, embora a manutenção das calçadas seja responsabilidade dos proprietários dos imóveis, qualquer instalação de elementos como vasos ou jardineiras nas áreas públicas exige autorização prévia e deve obedecer a parâmetros técnicos definidos pelo município. Elementos que prejudiquem a circulação de pedestres podem levar à notificação e à exigência de remoção.
A discussão ocorre em um contexto de crescente atenção para políticas de acolhimento à população em situação de rua, com decisões judiciais recentes cobrando a implementação de planos de assistência social e habitação voltados a esse grupo em áreas urbanas, incluindo a própria cidade do Rio de Janeiro.
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