Especialistas alertam que formação médica no Brasil pode não preparar médicos para atuar no SUS

Foto: Divulgação
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Profissionais de saúde e especialistas em educação médica no Brasil intensificaram as críticas à formação dos estudantes de Medicina depois da divulgação dos resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que indicam que uma parcela significativa dos novos médicos pode não estar adequadamente preparado para atender à população nos postos de saúde e no Sistema Único de Saúde (SUS). 

Segundo dados do Enamed, cerca de um terço dos cursos de Medicina avaliados apresentaram desempenho considerado abaixo do mínimo esperado, e quase 14 mil estudantes que devem se formar em 2025 saíram de cursos em que menos de 60 % dos concluintes demonstraram proficiência mínima no exame. Esses médicos, apesar disso, poderão receber diploma e registro profissional para atuar no país. 

No debate público, a cardiologista e professora universitária Ludhmila Abrahão Hajjar, responsável por coordenação acadêmica na Faculdade de Medicina da USP, participou de discussões — como em programas jornalísticos e podcasts — em que destacou a “fragilidade da formação médica no Brasil” e a necessidade de modelos de avaliação e qualificação mais rigorosos para assegurar que os médicos tenham competência para atuar com segurança na prática clínica, inclusive em unidades básicas e postos de saúde. 

Essas análises ocorrem em meio a um debate mais amplo sobre a expansão acelerada de cursos de Medicina no país nos últimos anos, sobretudo no setor privado, e sobre se essa expansão foi acompanhada de estrutura, corpo docente e formação prática adequados para a complexidade da prática médica, especialmente no atendimento básico e em comunidades mais vulneráveis. 

Organizações médicas, como o Conselho Federal de Medicina (CFM), reforçam que os resultados do Enamed mostram um problema estrutural que pode ter impacto direto na qualidade do atendimento no SUS e em postos de saúde, onde muitos desses profissionais atuam justamente após a formatura. Esse debate alimenta propostas, como a criação de um exame obrigatório de proficiência para recém-formados, nos moldes do exame da OAB, antes da concessão do registro profissional. 

Enquanto isso, autoridades educacionais e representantes do MEC defendem que o Enamed é uma ferramenta positiva, pois incentiva as instituições a melhorarem seus processos de ensino e infraestrutura para formar médicos mais bem preparados.  

Foto: reprodução.

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