Profissionais que atuam nas Clínicas da Família da Prefeitura do Rio de Janeiro decidiram entrar em greve a partir de 2 de fevereiro de 2026, com paralisação prevista até 11 de fevereiro, em protesto por questões salariais e condições de trabalho na Atenção Primária à Saúde (APS), principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS).
A decisão foi tomada em assembleias organizadas pelos sindicatos Sinmed-RJ (dos Médicos) e Sindenf-RJ (dos Enfermeiros) após críticas ao descumprimento de acordos firmados com a gestão municipal, incluindo o pagamento de adicionais previstos em contrato e recomposição salarial, além de queixas sobre insumos insuficientes, equipes incompletas e precarização das condições de trabalho.
Durante a greve, as Clínicas da Família devem operar de forma parcial, mantendo cerca de 50% das equipes em atividades assistenciais. Atendimentos considerados prioritários — como pré-natal, puericultura e acompanhamento de doenças como tuberculose e hanseníase — serão mantidos, enquanto consultas eletivas, atividades coletivas e visitas domiciliares serão suspensas.
Os sindicatos também denunciam que muitos profissionais enfrentam sobrecarga de trabalho, com equipes atendendo um número de usuários acima do recomendado pelas diretrizes de Atenção Básica, e exigem um plano estruturante para a APS, com recomposição das equipes multiprofissionais e medidas de segurança nas unidades.
Um ato conjunto está marcado para as 9h do dia 2 de fevereiro em frente ao Super Centro Carioca de Especialidades, na Zona Norte, para pressionar a gestão municipal a retomar o diálogo e atender às reivindicações.
Até o fechamento desta edição, a Secretaria Municipal de Saúde não havia se manifestado oficialmente sobre a paralisação.
Foto e crédito: Diário do Rio — Reprodução/Diário do Rio de Janeiro