Médicos e enfermeiros que atuam nas Clínicas da Família da Prefeitura do Rio de Janeiro decidiram entrar em greve a partir de 2 de fevereiro, com paralisação prevista até 11 de fevereiro, em um movimento que atinge a Atenção Primária à Saúde (APS), porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi aprovada em assembleias organizadas pelo Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed-RJ) e pelo Sindicato dos Enfermeiros do Rio de Janeiro (Sindenf-RJ).
Segundo as entidades sindicais, o movimento é motivado por atrasos no pagamento de adicionais previstos em contrato, descumprimento de acordos e condições de trabalho precarizadas, incluindo equipes incompletas e falta de insumos básicos nas unidades.
Durante o período de greve, as Clínicas da Família devem funcionar de forma parcial, mantendo cerca de 50% das equipes em atividade e priorizando atendimentos considerados essenciais, como pré-natal, puericultura e acompanhamento de doenças como tuberculose e hanseníase. Consultas eletivas, atividades coletivas e visitas domiciliares serão suspensas.
Os sindicatos também destacam que muitos profissionais enfrentam sobrecarga de trabalho, com equipes atendendo números de pacientes acima do recomendado pelas diretrizes de Atenção Básica, e reivindicam um plano estruturante para a APS com recomposição das equipes multiprofissionais e garantia de segurança nas unidades.
Um ato conjunto está marcado para as 9h do dia 2 de fevereiro em frente ao Super Centro Carioca de Especialidades, em Benfica, Zona Norte, para pressionar a gestão municipal a retomar o diálogo e cumprir os compromissos firmados. Os sindicatos relatam ainda casos de assédio e demissões de profissionais desde o anúncio da mobilização.
Até o fechamento desta edição, a Secretaria Municipal de Saúde não havia se manifestado oficialmente sobre a paralisação.
Foto: Clínica da Família