Presidente do Rioprevidência havia atuado em setor de avaliação de riscos quando o fundo investiu R$ 850 milhões no Banco Master

Foto: Divulgação
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O atual presidente interino do Rioprevidência, órgão que administra os recursos previdenciários dos servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro, Nicholas Cardoso, integrava o setor responsável por analisar riscos e recomendar investimentos da autarquia no momento em que foram realizadas aplicações de cerca de R$ 850 milhões em fundos e títulos vinculados ao Banco Master — operação que hoje está sob investigação por possíveis irregularidades financeiras.

Documentos internos mostram que Nicholas foi incluído, em março de 2025, no Comitê de Investimentos do Rioprevidência — grupo com a atribuição de analisar condições de mercado e riscos, e sugerir aplicações de recursos conforme diretrizes legais e estratégias definidas pelo conselho da instituição.

Esse mesmo comitê deliberou aportes bilionários no Master até meados de 2025, mesmo após alertas emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) de que cerca de 8 % dos recursos do fundo estavam concentrados no banco, deixando o fundo “altamente exposto” a riscos específicos daquela instituição financeira.

Segundo relatório do TCE-RJ, mesmo depois do alerta, o Rioprevidência realizou 15 novos investimentos e dois resgates em fundos de investimento administrados pelo grupo Master entre maio e julho de 2025, totalizando cerca de R$ 850 milhões nesses ativos de renda fixa ou fundos de ações, apesar da recomendação para cautela.

O Rioprevidência afirmou, em nota, que a área interna responsável pela análise de riscos era a Diretoria de Investimentos, e não o Comitê de Investimentos, conforme interpretação do TCE. A autarquia também destacou que alguns desses aportes já foram resgatados sem prejuízo aos cofres públicos, e que os investimentos em Letras Financeiras emitidas pelo Master teriam sido interrompidos após determinações judiciais e administrativas.

O caso integra um escândalo mais amplo envolvendo a liquidação extrajudicial do Banco Master decretada pelo Banco Central em 2025, que levou a investimentos bilionários de fundos de previdência no banco mesmo diante de sinais de risco financeiro.

As aplicações feitas sob a gestão de Nicholas e de sua equipe estão sob escrutínio do Tribunal de Contas e de órgãos de fiscalização, enquanto a investigação sobre a atuação do banco e dos gestores segue em curso. 

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